Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

L'uomo che guarda la donna che se mostra


- Me mandaram da agência de empregos. O senhor é o...

[Ela para e percebe que ele parece surpreso.]

- Ah... Tudo bem com o senhor?

- Não, não... Tudo bem!

[Ele, um tanto sem jeito, faz uma pausa.]

- Só não imaginava...

- Não imaginava o quê?

- Não, nada. Vamos lá, vou te mostrar o apartamento.

[E lá foi ele dar as instruções à nova empregada.]

“Só não imaginava que seria uma moça nova, bonita... e... tão gostosa assim”, ele pensou, mas é claro que não disse.

- Vamos nos ver pouco, eu acho. A não ser no café da manhã, na hora do almoço, quando conseguir vir em casa almoçar, nos dias em que eu sair do trabalho no horário... E sábado, é claro, porque fico em casa. Mas aí você vai embora mais cedo no sábado... E... Bem... O serviço é como lhe falei. E no mais é como lhe disseram na agência. Se puder começar amanhã...

- Sim, eu posso. Até amanhã então.

“Pena que ela use essas roupas tão comportadas... mas aí seria querer demais, né?”, pensou ele, fechando a porta.

Os dias foram passando e ele começou a encontrar um jeito de estar mais tempo em casa. Adorava observar a moça enquanto ela trabalhava. Disfarçava, inventava coisas pra fazer perto dela, fingia que lia o jornal no café da manhã... Mas os olhos não conseguiam se desviar dela. Para não ser tão explícito, começou a puxar assuntos, querer saber mais da vida dela, conversar sobre coisas do trabalho em casa, trivialidades. Coisa que nunca fez com nenhuma outra empregada. Às vezes era pego em flagrante, mas tentava vaguear o olhar, fazendo de conta que foi mera coincidência. Não queria deixá-la constrangida. Vai que ela inventasse de procurar outro emprego?

Limpando o chão. Lavando a louça, passando a roupa... Ele dá um jeito de estar por perto e tentar imaginá-la por baixo daquelas roupas... "Que se não fossem tão comportadas", como ele mesmo pensava e já tinha percebido. Uma calça jeans mais justa, uma saia... Ou uma blusa mais decotada. Quem sabe sem sutiã. Não... A moça se vestia “direitinho” pra ir trabalhar na casa de um homem solteiro. No maior respeito.

Um mês depois, boa parte do trabalho já transferido pro escritório de casa, sabe-se muito bem o porquê... E ele, na hora de efetuar o pagamento, resolve falar: “Bem, não sei como dizer isso, mas... Acho que você percebe que tenho passado mais tempo em casa, né?” Ela fica meio apreensiva e demora a responder: “É que não sei como era antes. Mas o senhor tem ficado mais tempo em casa sim, eu acho.”

- Então... Também deve ter percebido como eu gosto de te olhar.

- Como assim? Me olhar? Não... Imagina. O senhor pode ficar tranqüilo que...

[Ele a interrompe]

- Desculpe. Se for constrangedor pra você não falamos mais nisso. Mas eu sei que você já me flagrou várias vezes te olhando, vejo como fica sem jeito. E eu também.

- Não, se o senhor está pensando...

[Interrompendo novamente.]

- Não estou pensando nada. Eu é que estou sendo... Olhe! Vou lhe fazer uma proposta. Se você achar loucura ou qualquer coisa assim, pode dizer. Se quiser também não trabalhar aqui depois disso, pode ficar tranqüila, posso lhe indicar pra trabalhar para um casal de amigos meus e lá eles não serão inconvenientes como eu.

[Ela espera, em silêncio, o que seria a tal proposta. Achando a situação muito estranha.]

- Eu posso lhe pagar o dobro do que ganha se você puder fazer uma coisa.

- Olha, o senhor está é muito enganado comigo, viu? Não sou de fazer isso não! O senhor tá achando que...

- Não! Não é nada disso. Bem, não exatamente isso.

- O quê, então?

- Eu quero que você trabalhe vestindo outras roupas.

- Uniforme?

- Não. Outras roupas. Além de dobrar seu salário, lhe darei dinheiro pra comprá-las, se precisar.

- Que roupas?

- Roupas... Menos comportadas, digamos assim. Quer saber? Roupas abusadas mesmo. Ousadas, provocantes. Isso. Pronto. Falei!

“O senhor é louco?”, diz ela surpresa, abanando a cabeça. “Sim, talvez eu seja”, responde com um meio sorriso na boca.

- Então, o que acha?

- Não sei não, viu? E o senhor vai fazer o quê?

- Só vou olhar, como tenho feito. Mas sem precisar disfarçar de agora em diante. Só que tem uma coisa: não vale trocar de roupa depois de chegar aqui. Quero dizer, não vale vir com uma roupa e depois colocar outra aqui. Você terá de vir assim da sua casa e voltar assim também.

- O senhor sabe que sou casada, né? A gente mora com minha mãe e meu pai também... O senhor tá doido! E o que eles iam pensar?

- O triplo!

- Quatro!

- Quatro o quê?

- Quatro vezes meu salário. Aí quem sabe eu posso começar a pensar nessa coisa toda aí que o senhor tá dizendo.

- Cinco vezes, e não se fala mais nisso. Mas tem de ser do jeito que eu falei. E, se num dia, eu gostar muito do jeito que você está... E dependendo de como você me deixar ver, pode haver outros adicionais.

- O senhor acha que só porque sou pobre estou à venda, né?

- Não, ninguém está à venda. É que você fará um outro serviço além do que foi contratada inicialmente e só estou querendo pagar por isso. Ah, e pára de me chamar de “senhor”. Sou da sua idade.

- O “senhor” quer saber de uma coisa? O senhor é um tarado, isso sim! Não vou fazer nada disso não. Eu devia contar pro meu marido. Devia mesmo é chamar a polícia. Se o senhor parar com essa coisa toda, eu até continuo trabalhando, mas só porque preciso mesmo do emprego. Mas se vier com graça de novo, dou queixa do senhor. E é bom o senhor dar um jeito de não estar aqui muito não. Que é isso de ficar me olhando que nem tarado? Sou moça de família, casada, direita. E tô indo embora por hoje. Tchau!

Ela continuou a trabalhar lá, mas a situação era bem constrangedora. Quase não se falavam. Passou a dar um jeito de chegar depois dele sair e ir embora antes. Se viam bem menos... E ele foi desistindo, quase não ficando em casa durante o dia também. Sábado ela não foi.

“O senhor não vem almoçar em casa hoje?”, a voz dela no celular. “Senhor? Já não disse...? Bem... Você sabe que não tá dando pra ir almoçar em casa. Não sei por que a pergunta. Além do mais estou trabalhando e...” Ela insiste: “Mas eu fiz aquela receita que o senhor gosta tanto. Bem, o senhor é que sabe. Tchau.”

Ficou muito surpreso. Ela nunca foi disso. De ligar pra dizer que fez isso ou aquilo. Às vezes até ligava, mas pra informar o que precisava comprar pra casa, pra saber onde estava ou colocar isso ou aquilo. Mas... Pra dizer que fez a comida que ele gosta? “Vai ver que já não está tão zangada comigo mais e quer fazer as pazes”, pensou ele. Foi almoçar em casa.

Entrando na cozinha, pôde observá-la de costas, fazendo qualquer coisa na pia... A respiração parou. Ficou trêmulo. A respiração volta, ofegante, mas o tempo agora é que parou. Fica sem saber o que dizer. Lá está ela. Com uma saia estampada, toda colorida, curtinha, bem solta. Mostrando finalmente as pernas que queria tanto ver. Quase mais que as pernas. Uma blusinha de alças, simplesinha, justinha, de algodão, vermelha, cobrindo pouco das costas. Notava-se que não havia marca ou sinal de sutiã. Os cabelos quase longos caindo sobre o pescoço delicadamente.

- Ah, você chegou. A mesa tá aí arrumada do jeito que o senhor gosta. É só acabar de temperar a salada e...

Quando se vira, ele fica ainda mais transtornado. O decote era mais generoso do que poderia imaginar. Contornando os seios túmidos, quase saltando os biquinhos duros para fora. Ou quase perfurando a blusa. Um batom realçando os lábios. Nem tão sutil, mas não vulgar. Com um leve sorriso, foi-lhe servir. Já sentado, ouve: “Então, está do seu agrado?”

- O quê?

- A comida, está do seu agrado? Prove.

Era preciso desviar o olhar para a comida pra provar... Ele mal conseguia. Nem olhou direito pra comida, mas conseguiu levar o garfo à boca. “Sim, sim... Está lindo, digo, ótimo”, é o que consegue dizer. “E a salada, o senhor não quer? Vou colocar no outro prato aqui...”, e o faz quase debruçando sobre a mesa... Não conseguia tirar os olhos dos seios dela. Na verdade mal conseguia fazer a refeição. Enquanto ela dava um jeito de se mostrar, de fazer tarefas que nem era o momento de lá fazer, só pra dar um jeito de ser vista.

- O senhor não se importa se eu for fazendo isso enquanto almoça, né? É que depois não dá tempo.

Ele afasta a cadeira e então vê que começou, sabe-se lá por quê, a limpar as peças da sala. Da cozinha era possível vê-la, através da porta. E ela se debruçava, se ajoelhava, pra limpar as peças mais baixas. E ele podia então ver mais do que já tinha se deliciado em ver. Continuava ela, como se nada fosse.

- O senhor não vai comer não? Vai esfriar.

- Estou comendo. Está muito bom. Está de parabéns.

- Ah, o senhor sabia que a luz da sala queimou? Precisa trocar. Se pegar a escada lá, eu troco.

- Não precisa, quando chegar à tarde eu troco.

- É só buscar a escada lá. O senhor segura, eu troco.

- Tá bem.

É uma cena interessante, digamos. Ele lá no centro da sala segurando uma escada, enquanto ela sobe lentamente os degraus. Enquanto a cabeça dele sobe também e seus olhos podem apreciar mais que as pernas, um bumbum lindo que começa a se revelar. Engole seco e quando finalmente está no degrau apropriado, é possível ver que embaixo da saia há uma tanguinha minúscula, branca, enfiadinha inteira atrás. Ela afasta um pouquinho as pernas, e ele vê que na frente a calcinha também mal a cobre. Levanta a mão, desenrosca a lâmpada, vagarosamente. Mas, repentinamente, vira-se pra ele, olha pra baixo e o flagra hipnotizado.

- Segura a lâmpada pra mim? E me dá essa outra, a nova.

- Outra? Ah... Aqui está.

Numa eternidade enrosca a lâmpada nova e pede para que ele teste o interruptor.

- É melhor você descer antes.

- Não, pode deixar. Vê se está funcionando.

Está... Então retorna a segurar a escada e ela faz o caminho inverso, descendo.

- O senhor não vai se atrasar não? Olha a hora.

- Tem razão. Mas posso fazer uma pergunta?

- Não. Vai, eu tenho ainda muito trabalho pela frente hoje e acho que o senhor também.

À tarde foi difícil trabalhar. As imagens e as visões dela que teve durante o almoço não lhe saiam da cabeça. Queria dar um jeito de chegar em casa cedo. Quem sabe poderia apreciar aquela mulher linda, exuberante e sumariamente vestida um pouco mais? Fez isso. Mas ela já tinha ido embora. Estava confuso. O que a levou se vestir assim? Depois de tudo que discutiram? Mas preferiu não perder tempo com esses pensamentos. Preferia lembrar, repassar cena a cena as imagens que não lhe saiam da cabeça. Foi dormir ansioso pelo próximo dia. O que aconteceria?

“Bom dia!”, foi dizendo enquanto abria as cortinas do quarto. O café já está na mesa. “Tá muito cedo...”, ele disse, resmungando e ainda com os olhos fechados, não querendo ser cegado pela claridade incômoda. Mas fez bem em abrir os olhos. De frente pra janela lá estava ela. Um shortinho minúsculo. Agarrado, mostrando pouco do seu bumbum. Uma marquinha de um fio dental, separando, exagerando ainda mais sua gostosura. Contra o sol. Uma blusa muito transparente, amarrada na cintura, ele verificaria mais tarde, quando ela se virasse. E com quase todos os botões abertos. O cabelo preso desta vez, um rabo de cavalo.

- Vamos! Dá tempo do senhor tomar o café e depois cair num banho gostoso antes do trabalho.

Recolhendo o edredom e os lençóis, os seios insistiam em não ficar inteiramente dentro da blusa. Em sua visão a delícia de vê-los assim. Um já praticamente descoberto. Lindos, fartos... Pontiagudos.

- Tá tudo bem?

- Tá sim. É que... Você veio trabalhar assim?

- Ué, claro. Tá um calorão, não tá? Quem tem de trabalhar de terno e gravata é o senhor, eu não.

- Sim, mas digo, você veio de casa assim? E no ônibus...?

- Meu marido veio me trazer, de moto. Mas o que que tem? Tô mal vestida?

- Não, é que... [Já a imaginando de shortinho com bumbum arrebitado na garupa da moto, pela cidade.]

- Então, estou vestida, não estou? Mas pra voltar ele não vai poder me pegar não. O que o senhor quer saber do ônibus?

- Ele não disse nada?

- Ele, quem?

- Seu marido.

- Do quê?

- Bem, você...

- Meu marido não é muito de falar não. Ele faz. Um dia eu conto pro senhor.

- Conta agora.

- Não, agora o senhor vai trabalhar.

As semanas se seguiram e a moça o surpreendia todos os dias. Com roupas e combinações de roupas cada vez mais safadas, ousadas, provocantes. Aos sábados então, ela caprichava ainda mais. E aproveitava pra fazer com maior requinte e com maior desenvoltura suas exibições. Novas posições, novas desculpas para ser vista. De todas as formas. Sempre vestida. Mas sempre quase despida. Vestidos, saias, shorts... Blusas ousadas... Brincos, colares. Tudo para provocar. Pra ser admirada, vista, comida com os olhos.

“Puxa, estou exausta... ainda bem que hoje saio mais cedo”, diz enquanto senta-se no sofá em frente ao dele, como quem quer uma trégua para descansar. Ele finge ler o jornal, mas agora o abaixa. Até que está “comportada” hoje. Uma saia mais longa. Um decote menor. Mas diante tudo que aconteceu nesses dias, o jeito que ela vinha vestida, é justo que num dia viesse assim.

- Está calor, né?

- E como!

Ela então começa a se abanar... Com o próprio vestido. Subindo cada vez mais. Até chegar num ponto que não dava pra fingir que era sem querer. Embaixo do vestido, ele começou a ver... Nada. Ou melhor, tudo. Sem calcinha, abrindo mais as pernas e se abanando de forma cada vez mais estabanada, ele podia então ver aquela bucetinha linda. Lábios grossos, abertos, contornando a fenda rosa, clitóris inchado, mais escuro, saltado, grande. Uma tirinha estreita de pelos curtos desenhados em seu delta. Ele, atônito.

- Então o senhor queria saber o que meu marido fala?

- Bem, sim... Se quiser contar.

- Ele não fala muito, eu disse. Quer dizer, até fala. Quando chego em casa ele me vê assim. E me agarra com vontade. Muita vontade! “É assim que você foi trabalhar hoje, sua putinha?” Viu, ele fala também. E vai se esfregando, arrancando a minha roupa, me beijando, perguntando se eu me exibi muito pro senhor hoje. Se o senhor ficou com muito tesão me vendo. E então vai abrindo minhas pernas, abaixando as calças dele, e vai enfiando aquele pau gostoso dentro de mim, me apertando, me chamando de puta, de biscate... Ai, aquele homem é uma loucura, o senhor precisava ver. O jeito que ele me beija, me morde, me chupa. O jeito que ele me come. Inteira. Que me faz gozar, é um gozo atrás do outro. Sabe que tem mulher que é assim, né? Eu sou. Gozo muito. E muitas vezes. Às vezes acho que vou desmaiar de tanto que eu gozo. As pernas até tremem. A gente fica horas assim depois que eu chego. E quando ele me vira de costas e me joga sobre a mesa e vai me abrindo assim, por trás, sabe? Com a mão na frente, lá... Me beijando, mordendo o ombro, o pescoço... E goza tanto dentro de mim.

Ele mal consegue acreditar no que está ouvindo, se contorcendo no outro sofá. Enquanto ela, ao contar os detalhes, vai abrindo mais as pernas, já colocando os pés sobre o sofá, o vestido na cintura. E aquela bucetinha melada, escorrendo de tesão.

- O senhor quer ver como eu gozo gostoso quando ele faz isso?

E leva sua mão que começa a massagear, de início delicadamente, mas depois com maior ímpeto, o clitóris, abrindo mais os lábios, enfiando por vezes um dedo. Dois. Levando à boca. Enquanto abaixa a blusa e começa a fazer carinhos nos próprios seios, fechando os olhos, levando o pescoço pra trás e a respirar com sofreguidão. Ele não acredita no que está vendo. Está delirando de tesão ao vê-la assim. O pau duro, latejante. E continua assistindo. Enquanto o gozo dela se aproxima e suas carícias passam a ficar cada vez mais ritmadas e fortes. Até gozar loucamente, não controlando os gritos, gemidos, completamente solta e absorta em seu prazer. Ela tem razão, as pernas chegam a tremer. Parece que vai desmaiar.

E continua... Então a respiração vai ficando mais lenta. Mas ainda se acaricia, bem lentamente, lentamente... Até parar depois de um bom tempo. Abre os olhos. Fixa-os nele. Olha atentamente em seus olhos. Ajeita-se no sofá. Abaixa o vestido. Recompõe a blusa. E então diz: “Viu, é isso que acontece quando eu chego em casa. É isso que meu marido diz. É o que faz comigo.” Levanta-se e volta a trabalhar com se nada tivesse acontecido. Mas ele não consegue levantar e fica ali sem ação diante de tudo que viu e ouviu.

Era possível vê-la cada vez mais despudorada e ousada daí em diante, nos dias que se seguiram. Muitas vezes flagrando-a se masturbando sem mais nem porquê nas situações mais inusitadas, em meio ao seu trabalho. Também era possível perceber que ela gostava cada vez mais de deixar as janelas abertas. E desfilar, por assim dizer, enquanto dos seus afazeres. Se demorar ainda mais na sacada, no corredor, nas escadas do prédio. E ele só podia imaginar o que seria essa mulher andando assim pelas ruas. Toda cheia de tesão, linda. Toda exibida. Queria ele ser seu marido e agarrá-la da forma que contou.

- Aqui está seu pagamento. Cinco vezes ele, na verdade. Como combinamos. Aliás, tem ainda mais. Você sabe por quê.

- Como assim cinco vezes? Olha, não quero não. Me paga só o meu salário normal. Eu disse que não estava à venda. Não sou dessas mulheres. O senhor tá achando o quê?

- Mas...

- Se insistir, eu peço demissão agora mesmo.

- Bem... Se é assim que quer. Mas eu achei que...

- Se o senhor quer mesmo me pagar a mais, me pague continuando a olhar do jeito que me olha. A me querer, a me desejar. A me admirar assim. Adoro. Todo dia, não vejo a hora do senhor chegar em casa pra eu me mostrar. Deixar o senhor assim, cheio de tesão por mim.

Ele abana a cabeça, sorrindo, reconhecendo-se diante de uma moça doce mas doidinha de tudo. E alegremente safada, de um jeito que ele nem podia antes imaginar.

- Sabe que eu li numa revista que isso aí tem nome?

- Isso o quê?

- Ah, isso aí que o senhor gosta. O que o senhor é.

- Ah, é? Qual nome?

- É... “Voi...” “Voi”, alguma coisa.

- Voyeur?

- Isso!

- Mas tem uma coisa que não li na revista não, mas que foi o senhor que me fez descobrir.

- O quê?

- Que eu adoro isso de me exibir, sabe? Me dá o maior tesão assim. O senhor me olhando. Os homens me secando na rua... As mulheres todas bravas, umas despeitadas. E meu marido? Que nem era de ligar muito pra mim. Era daquele jeito, pá-pum e pronto. Puxa... Eu contei, né? Agora é diferente. E é todo dia. Na verdade eu queria agradecer o senhor, viu?

- Eu é que preciso...

[Ela o interrompe.]

- Agora tem duas coisas, viu? O senhor precisa fazer que nem eu. Arrumar uma mulher assim... Pra comer ela bem gostoso, que nem meu marido faz comigo. De preferência pensando em mim. Só não vale trocar o nome, heim? [E ri...]

- Eu não gosto só de olhar. Adoro fazer também. Eu quero muito, muito mesmo. Mas você.

- Ué, e o senhor tem. Pode me olhar à vontade.

- Não, não desse jeito.

- Bem... Se quiser é assim. Eu não sou dessas mulheres de trair marido não.

[Ele suspira.]

- E qual é a outra coisa?

- Que outra coisa?

- Você disse que ia me dizer duas coisas, qual era a outra?

- Ah... É que eu descobri isso também. Que todo "voi...", voyeur, precisa de uma mulher abusada, exibicionista. E essa mulher precisa do voyeur. Quer dizer, um precisa do outro pra dar certo. Era bom se todo mundo pudesse se achar assim, né? Quer saber mesmo? Eu adoro ser essa mulher pro senhor. A sua mulher exibida, que mexe, que provoca, que atiça o senhor. A sua exibicionista. A que se encaixa, sabe? É assim... Eu sei que sou casada. E fiel. Meu marido é tudo de bom, mas não me olha assim como senhor me olha. É meio doido isso. A gente tá casado, né? Amo ele. Mas mulher mesmo eu sou quando o senhor me olha. E me quer. Aí eu sou mulher mesmo. E fico linda.

- Fica não. É. Muito linda. Deixa eu ver você mais um pouco, deixa...

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Sem ou quase sem

O tecido fininho da saia contorna deliciosamente seu bumbum. O caimento da saia. Tão sensual, tão provocante. O tecido rebola junto. A forma como fica sobre ela, deixa ver nitidamente suas formas. E eu, transtornado... Deve estar com uma calcinha minúscula por baixo. É no que tenho pensado desde que saímos de casa. Fico imaginando a calcinha, apertada, enfiada... Roçando seu corpo conforme ela anda.

Também a frente. Mal cobrindo sua bucetinha perfumada, molhada, protuberante... Linda. Lembrando-a à todo tempo como está, o que quer, e o quanto me provoca. O quanto não consigo pensar em outra coisa que não levar minha mão e segurar firme e com vontade aquela bunda tão gostosa... Apalpar, esfregar, acarinhar... Pra depois levantar sua saia... Beijar, lamber.

Quero fazer isso e não posso. Estamos em público, o shopping... Olho ao redor. Não sou só eu que estou babando por ela. Tanta gente pra lá e pra cá. Outros olhares acompanhados, por isso disfarçados. Ou então que me vêem junto dela e então tentam disfarçar. E outros que nem disfarçam muito. Não precisam disfarçar. Podem olhar à vontade. Porque os cúmplices aqui somos nós dois. Um do outro. Mas eu é que quero olhar mais à vontade. Apreciar tudo. Contemplá-la em cada detalhe, desejá-la, me inebriar inteiro pelo desejo pela minha mulher.

Ela percebe que me atraso nos passos para vê-la melhor. Ai, aquele bumbum! Então rebola ainda mais... Como quem não sabe de nada que está acontecendo. E sabendo de tudo. Um pouco mais e pára de andar, sorri marotamente, e me espera. E me dá a mão. Continuamos a andar.

(E se ela estiver sem calcinha? É o que imagino. Uma calcinha deixaria marca. Ela sabe que quando usa calcinhas assim me deixa fora de controle... Estará usando uma calcinha tão minúscula que nem marca? Ou está mesmo sem calcinha? O que também me deixa doido. As duas coisas me tiram do sério. Não sei dizer qual das duas, mais. A dúvida me atordoa.)

Seus movimentos me atordoam. E ela chega e sussurra ao meu ouvido: "Que aconteceu? Está tão quieto. Está preocupado com alguma coisa?" Cínica, como se não soubesse os pensamentos que me tomam, o calor da minha pele, a febre no meus olhos. Como se não percebesse como estou. Sei que percebe. Sente. E eu, imaginando já meu pau duro, roçando seu bumbum, por trás, sobre o tecido... Minha mão levantando-o e encontrando o vale entre suas pernas. Meus dedos saindo melados. A outra segurando e acarinhando seus seios. Depois entrando em seu delicioso decote. Beijando seu pescoço, sua nuca.

Mas... Ela está com ou sem calcinha? Tento olhar melhor, perceber mais algum indício... Ela não havia usado essa saia antes, senão talvez eu saberia, de outras vezes. Ela sabe que reparo muito nisso... Mas não, não consigo. Não podendo resistir à dúvida, pergunto então a ela, tomado de tesão, o coração acelerado e a voz trêmula: "Você... Está sem calcinha?" E ela apenas sorri e diz: "E você vai esperar chegarmos em casa pra ficar sabendo? Eu não vou contar. Descubra!"

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Entre o Céu e o Inferno


Meus olhos estão vendados, não vejo nada, ouço apenas vozes abafadas, estalidos, barulhos imprecisos. Que lugar é este? Como vim parar aqui? Terei sido seqüestrada? Não me lembro...

Na memória, um vazio suave, escuro, macio como o tecido que me cobre o rosto. Um vazio generoso, fresco e tão confortável quanto a superfície sobre a qual me deito. Não sinto medo. Nem fome, nem frio, nem dor.

Parece que acordei de um sono breve, mas não posso me levantar. Alguma coisa me impede as pernas de se mexerem, mãos, mãos grandes, muitas mãos agora se apoderam de mim.

Homens. Quantos serão? Tento contar, faço força, um exército de línguas e dedos me invade e confunde, perco a concentração. Eles estão por toda a parte. Na saliva que umedece o espaço entre os dedos do meu pé, nos tornozelos – os dois ao mesmo tempo. Estão nos joelhos, subindo pelas coxas.

Na nuca eles também estão e escorregam displicentes nas minhas costas, alguns nos ombros, braços, nem os pulsos foram esquecidos. Ainda estão ao redor do pescoço, entre delicados e embrutecidos estão nos meus seios, estão lá, e ficam. E se colam à barriga e me arreganham as pernas sem pedir licença.

Ah! E fazem pouco caso dos meus gritos, quantas súplicas, devem ser cegos e surdos, só têm aquelas bocas e mãos, aqueles pênis e dedos enormes por todos os milímetros do meu corpo repleto de orifícios penetráveis, palpáveis, maleáveis, habitáveis...

Já não sei mais por onde e por que eu gozo, se é a língua enfiada na minha orelha, se são os beijos salpicados no meu umbigo, se é o membro entalado no meu rabo. Não sei de mais nada, só que devo estar morta, em trânsito, esperando a vez de acertar as contas com o Criador.

Não fui tão má assim, boa filha, aluna obediente, de maneira que esta pode ser uma sala especial, intermediária, um tipo de purgatório. O Paraíso, sem dúvida, não é. Ou então as freiras do colégio me encheram os ouvidos de mentiras para a vida toda!

Vovó De Lourdes rolando o terço de bolinhas de madeira, embaraçada nas rezas, constrangida, a me explicar conceitos de castidade e pureza. Tia Maria, Maria como a Virgem, virgem como a Maria. Noventa anos. Nossa!

Tantos homens se empanturrando de uma só mulher se fartando de tantos homens não é exatamente a imagem que se faz do ambiente celestial. O Inferno? E o demônio me tortura desse jeito? Interessante. Vou tentar me lembrar disso se e quando reencarnar.

Dois diabos de pele suada me levantam entre beijos e lambidas, nem tenho peso nem unhas nem ossos, e me põem de quatro. De novo, pareço incapaz de qualquer movimento, só consigo sentir, sem me mexer.

A venda nos olhos deixa perceber com clareza o tamanho, a largura, o ritmo, a respiração de cada homem que toma o meu corpo com o seu. E eles são tantos! Quantos... Todos eles. Um por vez. Às vezes, dois. Muitos de uma vez.

Esta é a minha fantasia preferida: num mundo qualquer, em alguma bolha da eternidade, sem tempo nem hora marcada, sem compromisso nem registro em cartório, sem alianças, sem assinaturas, vácuo de preocupações, desimpedimento absoluto. É ser apenas um corpo de mulher amado por muitos homens. Homens sem rosto. Homens sem nome.

Não sei se é dia ou noite lá fora, penso ter ouvido som de chuva, trovões furiosos, uma tempestade de verão desabando sobre a cidade.

Já dancei para eles e com eles. Servi seios cremosos em porções fartas, abundantes mesmo para apetites assim vorazes. Gulosos.

Beijei o peito dourado de um enquanto o outro peito me comprimia.

A boca de Eduardo se fecha nas minhas pernas abertas e dança até fazer música. A língua. A dele e aminha. As bocas. A boca de Felipe é um bom lugar para a minha boca descansar da boca de Eduardo nas minhas coxas e fazer silêncio.

Felipe é gentil, embora tenha me maltratado um pouco ao me penetrar por trás. Ele, tão grosso, gosto mais de poder controlá-lo e me deito em cima, montando devagar, até o engolir, absorver por completo. Formamos um belo par, é o que me diz o sorrido de Eduardo, que nos observa reclinado no sofá de couro.

Inclino o tronco para a frente, Felipe ajuda com as mãos na minha cintura, buscamos a posição perfeita. Pronto.

Eu ofereço na bandeja nua a iguaria exótica, prato finíssimo, de sabor intenso e apimentado.

Eduardo não tem pressa, sei disso. Ele vem tomar seu lugar. Recebo mais um convidado, assim, querido, ah, pode entrar...

De novo a dança, agora em compasso ternário, uma valsa, um minueto. Uma dama e seus cavalheiros. Eduardo e Felipe, dois dos meus amantes favoritos.

Homens que me fazem acreditar que vivo no paraíso dos prazeres sem pecado, sem culpa, sem castigo.

"Entre o Céu e o Inferno" - Maria Beatriz Soares

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Seu corpo



Eu gosto do seu corpo
Eu gosto do que ele faz
Eu gosto de como ele faz
Eu gosto de sentir as formas do seu corpo
Dos seus ossos
E de sentir o tremor firme e doce
De quando lhe beijo
E volto a beijar
E volto a beijar
E volto a beijar

e.e.cummings

Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Seus olhos



Quando nos deitávamos na cama era fresca, mas depois tornava-se quente e febril. Os seus olhos... É impossível descrever os seus olhos, a não ser dizendo que eram os olhos de um orgasmo. O que lhe acontecia constantemente nos olhos era algo de tão febril, tão incendiário, tão intenso, que por vezes quando olhava directamente para ela e sentia o meu pénis erguer-se e palpitar, sentia também como se algo estivesse a palpitar nos olhos dela. Só com os olhos dela era capaz de dar essa resposta, essa resposta absolutamente erótica como se ondas febris estivessem a tremer naqueles lagos de loucura... Algo de devorador, capaz de lamber um homem de uma ponta à outra como uma chama, aniquilá-lo, com um prazer nunca antes conhecido.

Anaïs Nin in Passarinhos

Domingo, 25 de Novembro de 2007

A festa

A roupa é esta... Depois de tantas, achei que esta ficou boa. Perfume passado... Outra olhada no espelho. Maquiagem em ordem. É isso. Ele lá fora me esperando. Não vou fazê-lo esperar mais. Ao me ver saindo pela porta da casa, ele também sai do carro, dá a volta e vai me receber. Achei que ia simplesmente abrir a porta do carro... Mas antes olha bem pra mim, de cima abaixo e diz: "Você está linda!" Ele também está. E me abraça de uma forma impetuosa, surpreendendo-me. Põe o rosto no meu pescoço, sente o cheiro do cabelo, respira bem pertinho... Enquanto me aperta contra ele. Suas mãos em minhas costas, suas pernas, seu corpo roçando o meu. A fogueira estava acesa.

Mas precisamos ir. Então eu digo: "Vamos?" E ele afasta-se, sorri e faz com a cabeça que "sim". Abre a porta e eu entro. Dá outra volta e senta-se ao meu lado. Olho mais atentamente pra ele. Está irresistível. Mas, pelo olhar dele, eu também estou. Pensei que ia ligar o carro, mas... Vira-se pra mim e seus olhos dizem o que a boca não encontra o que dizer. Mas a boca encontra, a minha... "Vai borrar o batom.", eu penso. Mas isto é coisa de pensar numa hora dessas? Não penso. Beijo! E que beijo. Sinto sua língua entrando na minha boca, com vontade, gulosa. A barba curta, quase assim deixada, roçando meu rosto. Precisamos ir! Não podemos chegar tarde... Que nada!

Seu braço em minhas costas, me puxando, forte. A pele quente. A vontade... E a sua outra mão encontra meu seio. Sem parar de nos beijarmos. Temos uma festa para ir. Temos? Não sei mais de nada. Sinto o calor tomando cada vez mais conta de mim. E minha mão desliza, naturalmente. Pra encontrar o volume sob sua calça. Eu quero sentir mais este pau. E começo a esfregá-lo... E sua mão desce até meu bumbum. E aperta. E acarinha. E já não quero mais senti-lo sobre um tecido. Não sei como, mas consigo desabotoar sua calça. E vou abaixando o zíper. Nossas línguas a fazer amor escandalosamente uma com a outra. Estamos perdendo a noção de onde estamos. E se alguém nos ver assim? É noite. Mas a luz do poste quase nos ilumina. Não tem jeito. Eu quero sentir aquele pau na minha mão. E começo a senti-lo, quente, cheio, rígido.

Sua outra mão, pela frente, encontra lugar no meu decote. Entra por baixo do sutiã e eu deliro. Mas não se contenta e passa a abaixá-lo. O decote que já era generoso passa a mostrar ainda mais. Até meu seio estar mesmo quase de fora. Era esta a intenção. Abaixa-se e começa a lambê-lo. Primeiro mais lentamente, delicado. O que não dura muito. Porque passa a chupá-lo, impetuoso, faminto. Enquanto eu o masturbo sem nem lembrar de mais nada. Aliás, lembro... Que minha calcinha numa altura dessas já está encharcada e minha bucetinha está doida pela sua mão, por seus dedos a acariciando. Deve ter lido meus pensamentos, porque é para lá, embaixo da saia, que sua mão vai. Começa a acariciar-me sobre a calcinha... Mas em seguida a afasta e pode sentir-me melada. Os dedos vão encontrando a abertura onde se lambuzam. E sobem, massageando deliciosamente meu clitóris.

Estou enlouquecendo... Em todos os sentidos. Ali? E precisamos ir. Precisamos... Preciso é sentir como é gostoso este homem se esfregando em mim. Deixando-me mesmo maluca. Cheia de tesão. Quero fazer amor com ele agora. Aqui. Do jeito que estamos. Sentir seu pau abrindo caminho entre meus lábios. Sentir ele dentro de mim. Sua barba roçando meu pescoço. Meus biquinhos pontiagudos em suas carícias. Eu quero! Mas ele vai se afastando aos poucos, lentamente. Vai se recompondo... E eu também, fazer o quê? Respiramos mais fundo. Sorrimos um olhar malicioso e cúmplice. "Precisamos ir, né?", ele diz. E eu faço com a cabeça que sim... Mas, em seguida, olho bem nos seus olhos e abano a cabeça que não! E digo: "Não. Ainda não!" Olho seu pau ainda duro na minha frente e não resisto. Abaixo-me, seguro e o coloco na minha boca. Serão estes os meus lábios então a prová-lo agora. Sinto seu corpo estremecer e ouço um gemido. Encosta-se melhor no banco e pode ver-me subindo e descendo a cabeça em seu colo. Minha boca engolindo-o. Lambendo. Chupando. Então paro para ver melhor seu rosto. Em doce delírio. E o masturbo com maior força. Olhando fixamente em seus olhos. Abaixo a blusa e meus dois seios agora estão nus. Segurando seu pau firmemente, volto a chupá-lo com vontade. Abaixada sobre ele, sinto sua mão agora acariciarem meus seios. Passo a tocar-me também, e meus dedos continuam na minha bucetinha molhada o que ele antes começou.

Vamos gozar assim... Inevitavelmente. Mas... Não é justo que somente eu goze. Adoro fazê-lo gozar comigo, por mim. Um momento de racionalidade, porém, toma conta de mim. E isso é hora de pensar? E ser racional ainda por cima? É que, fico imaginando, se eu o masturbar e ele gozar assim, vai manchar sua roupa. E não teremos tempo dele voltar e se trocar. Se o deixar gozar em minha boca... Bem... Houve ocasiões como esta, mas eu nunca fiz isso antes. Vou engolir sua porra? Será bom? Eu consigo? Sei que os homens adoram isso. Mas... Bem... Posso parar também. Posso? Posso nada! Eu quero nós dois gozando nesse carro, agora. E a "racionalidade" some. E com ela os pensamentos. Dando lugar somente ao tesão. Daquele pau entrando e saindo na minha boca. Dele prestes a inundar minha boca com seu líquido. Perco o receio. Nojo e sexo não combinam. Entrega e despudor sim. Além do mais, que coisa mais excitante passa a ser isso agora. Vou sim, vou chupá-lo até gozar. Só de imaginar fico ainda com mais tesão. É meu homem, sou sua mulher. São nossos cheiros, nossos líquidos, nossa entrega. Somos cúmplices.

Não importa mais quem poderia passar e ver. Nem o lugar, nem nada. Apenas quero. Quero tudo. Quero que gozemos muito e gostoso. E sinto que está perto. Que não vai conseguir segurar-se muito mais. Será que passa pela cabeça dele as mesmas coisas? Ou não passa nada? Sinto que, como eu, deixa-se tomar inteiro pelo desejo e pelo tesão, somente. E continuo, continuo a chupá-lo enquanto acaricio seu pau, mais embaixo. Quero deixá-lo louco. E consigo. Sinto em minha boca como se começasse a latejar e começa. Ouço um urro que vem junto... Junto com sua porra a esguichar em minha boca, minha garganta. Mas não engulo. Quero sentir primeiro ela em minha boca, o sabor. Saber como é. E é uma delícia, ao contrário do que eu antes poderia imaginar. Um gosto que nunca provei antes. Algo nem doce, nem salgado. Mas delicioso, principalmente por ser dele. E sinto novamente a jorrar. Seu corpo, ofegante, diminuindo o ritmo. E eu agora só posso engolir, não há outra forma. Mas eu nem queria outra forma. Quero seu líquido. Como ele sempre quis e teve o meu. Todo. E então sugo, sugo tudo, até o final. Lambo os lábios e ele mais uma vez parece delirar ao ver-me assim.

E seu semblante, seu olhar... A situação toda. Sou eu quem goza agora. Um gozo forte, sentido... E é agora o meu momento de sentir plenamente o prazer. Minhas pernas estremecem, sinto tomando conta do meu corpo inteiro. Paro minha mão, seguro meus seios e vou sentindo, sentindo... Que coisa mais doida. E deliciosa. As contrações primeiro fortes e agora diminuindo o ritmo. Vou me recostando novamente no banco, as pernas abertas. Os dois desfalecendo docemente, lado a lado. A rua, a casa, o carro... Depois de certo tempo começam a aparecer de novo. Antes só existia nós dois e nosso desejo. E agora nossos corpos satisfeitos. Passo a dar-me conta da doidice... E dar-me conta também que sim, eu engoli. Surpresa e surpreendida comigo mesma. Sim. E foi muito bom! Acho que o homem sente-se realizado assim. Ele eu sei que está. É só olhar no seu rosto. Mais que uma fantasia ou um gosto, uma entrega. Mesmo. Como não fiz isso antes? Dar-lhe esse presente. Aliás, dar-nos. Porque adorei... E agora eu quero. Quero mais. E muito!


Quero
as suas mãos
guiando meu corpo,
a sua boca
me tirando o juízo,
a sua voz
sussurrando bobagens
me dizendo que você é meu.

Quero
o desespero do tesão
te fazendo implorar,
a rigidez no seu quadril
me prensando na parede,
os teus olhos
me sugando pra você.

Quero enlouquecer
na rua, na festa, no teu carro
sem hora, sem regra, sem porque.

Vem me fazer acontecer.

Kendra